PERSPECTIVAS DO PERÍODO

  • O impacto da COVID-19 é limitado no trimestre.
  • Os prêmios se aproximam dos 6,1 bilhões (-4,7%).
  • A área regional Ibéria se mantém como motor de crescimento do Grupo, com um comportamento melhor que o setor na Espanha.
  • Melhoria do resultado de seguros nos principais mercados do Grupo
  • Os lucros da unidade de seguros, o negócio core da MAPFRE, cresceram 10%, até 197 milhões de euros.
  • O terremoto em Porto Rico e a tempestade Gloria na Espanha têm um impacto de 68 milhões de euros.
  • A flexibilidade financeira, a solvência e a liquidez do Grupo, garantem a resiliência da MAPFRE na situação atual.
  • A decisão sobre o dividendo provisório de 2020 será tomada na segunda parte do ano.

1.- Estratégia frente à COVID-19

O aparecimento do coronavírus representa um antes e um depois na atividade empresarial, seguradora e social e, a partir da segunda quinzena de março, marcou uma situação sem precedentes. Nesse contexto, a MAPFRE vem desenvolvendo uma série de medidas a fim de garantir a segurança de seus funcionários e colaboradores e assegurar a continuidade das operações, mantendo a prestação de serviço aos seus clientes. As ações mais relevantes foram:

  • Ativação do plano de continuidade do negócio em todos os países e unidades, adaptando-o à singularidade da crise COVID-19, por meio do trabalho remoto de cerca de 90% dos funcionários no mundo, e manutenção dos serviços essenciais (guinchos, oficinas, consertos para a residência, centros médicos, funerárias etc.)
  • Avaliação dos riscos derivados da crise e adoção de uma estratégia destinada à proteção do balanço, especialmente os investimentos, e a preservar o capital do Grupo, dispondo da liquidez e financiamento necessários para neutralizar qualquer tensão monetária, especialmente nas operações em países emergentes.
  • Mobilização de recursos e transferência de fundos para a economia, por meio de doações diretas à sociedade e medidas para os segurados, bem como por meio da concessão de auxílios e financiamento adicional a agentes, fornecedores diretos e clientes, com atenção especial ao segmento de autônomos e PMEs. Essas atuações são complementadas com o trabalho social adicional prestado pela Fundación MAPFRE para enfrentar esta crise.

2.- Informações econômicas do primeiro trimestre de 2020

Os seguintes valores são provisórios. Os finais serão apresentados ao Conselho de Administração em sua reunião de 18 de maio.

O lucro líquido da MAPFRE, nos três primeiros meses deste ano, ficou em 127 milhões de euros, 32% inferior ao lucro do mesmo período do ano anterior. O resultado foi afetado pelo impacto do terremoto em Porto Rico, no início do exercício, cujo impacto chegou a 54 milhões de euros, e os efeitos da tempestade Gloria, na Espanha, com um impacto de 14 milhões de euros. As moedas dos países emergentes também tiveram um impacto negativo, diminuindo em mais de 6 milhões o resultado líquido. Se excluirmos o impacto destes eventos catastróficos, o resultado ajustado estaria em 190 milhões de euros, com um crescimento superior a 3%.

As receitas, por sua vez, ficaram em 7,333 bilhões de euros, 4,5% menos que entre janeiro e março de 2019, e os prêmios tiveram uma redução de 4,7% até 6,097 bilhões de euros. Essa queda é explicada, fundamentalmente, pela depreciação das principais moedas a América Latina e da lira turca (12%). De fato, a taxas constantes, a redução das receitas e dos prêmios teria sido 1,6 e 1,5%, respectivamente.

Embora o confinamento derivado da crise do coronavírus tenha reduzido a contratação de novos seguros, a crise na saúde e na economia ocorreu na Europa e na América, principalmente, no mês de abril, de forma que o efeito nas contas do primeiro trimestre é limitado.

No entanto, espera-se um aumento da sinistralidade nos ramos diretamente relacionadas com a doença, como são os de saúde, falecimentos ou vida. A desaceleração econômica e o confinamento implicarão, no curto prazo, em uma diminuição dos sinistros nos ramos de automóveis e seguros em geral, e no médio e longo prazo, na redução da receita de prêmios.

O índice combinado da MAPFRE no fechamento de março ficou em 100%, com aumento de 4,1 pontos. No entanto, o índice combinado da unidade de seguros está em 97,2%, o que representa um aumento de menos de um ponto, apesar do impacto do terremoto em Porto Rico.

A queda brusca dos mercados de ações e a desvalorização das moedas em vários países emergentes afetaram o valor dos ativos e o capital do Grupo. Assim, os ativos administrados tiveram uma queda de 6,9%, para 59,271 bilhões, e os fundos próprios ficaram em 7,86 bilhões, 11,2% a menos que em dezembro de 2019.

A taxa de Solvência II no fechamento de dezembro de 2019 ficou em 187%, comparada com 195% de setembro. É importante ressaltar que tanto a posição de capital quanto a solvência do Grupo continua sendo excelente, com uma exposição limitada ao risco de taxa de juros, dado o alto percentual (56%) de dívida soberana na carteira de investimentos da MAPFRE.  Os investimentos do Grupo alcançam os 50, 253 bilhões de euros, dos quais, além dos 56% em dívida soberana, 18% estão em renda fixa corporativa e 4% em renda variável. 

Dessa forma, destaca-se a flexibilidade financeira e os altos níveis de liquidez, aspectos que se convertem em garantia para a resiliência da MAPFRE na atual situação: a maioria dos ativos financeiros são líquidos e a posição de tesouraria é relevante (mais de 2,7 bilhões, 5% das investimentos totais) e, além disso, existem linhas de crédito disponíveis e financiamento bancário pré-concebido, mas não formalizado.   

3.- Evolução do negócio:

Os prêmios da Unidade de Seguros entre janeiro e março foram de 5,092 bilhões de euros (-5,2%), enquanto o lucro atribuível cresceu 10%, até atingir 197 milhões de euros.

      • Na Área Regional Ibéria (Espanha e Portugal), os prêmios foram de 2,415 bilhões de euros, o que representou uma queda de 4,4%, frente a uma queda no setor na Espanha de 6,8%. Os efeitos da tempestade Gloria dificultaram os lucros dessa área regional, que foram de 103 milhões de euros, 13,7% menos, e aumentaram em 3,9 pontos a taxa combinada, que ficou em 96,5%.
      • No Brasil, a depreciação do real brasileiro (16,3%) afeta significativamente a evolução dos prêmios, que caíram 13,3%, para 838 milhões de euros. Os lucros, no entanto, aumentaram 18%, para 29 milhões de euros, e a taxa combinada melhorou 0,4 pontos, para 95%, o que mostra a resiliência do negócio nessa região. 
      • Os negócios da Área Regional Latam Norte cresceram 20%, atingindo 484 milhões de euros. Essa área regional continua mantendo um caminho positivo quanto à rentabilidade e seus lucros aumentaram 74%, para 23 milhões de euros, destacando o bom desempenho tanto do México quanto dos países da América Central. O índice combinado, por sua vez, melhorou significativamente (5,3 pontos), ficando em 90,9%. 
      • Os prêmios da Área Regional Latam Sul foram de 371 milhões de euros, o que representou uma queda de 6,7%. Destaca-se, no entanto, a evolução de seus lucros, que aumentou 24,4%, até superar os 13 milhões de euros, com uma taxa combinada de 97,3%.
      • Na Área Regional da América do Norte, os prêmios superaram os 510 milhões de euros (-7,3%) no fechamento de março. Os lucros, que reúnem uma mais-valia líquida de 14 milhões pela venda de um edifício, registraram aumento de 79%, para 24 milhões de euros, apesar do impacto negativo do terremoto em Porto Rico.
      • Os prêmios da área Regional Eurásia caíram 10,3%, para 473 milhões de euros, fortemente afetados pela desvalorização da lira turca (12%). Destaca-se a melhoria do resultado tanto na Itália quanto na Turquia, o que representa um lucro dessa área regional de 5 milhões de euros, em comparação com as perdas em março do ano anterior. As medidas adotadas no marco da estratégia de crescimento rentável refletem-se na evolução do índice combinado, com melhora de 7 pontos. 
      • Os prêmios da Unidade de Resseguro no fechamento do primeiro trimestre deste ano foram de 1,064 bilhões (-18%), com um resultado negativo de 22 milhões de euros, devido ao impacto do terremoto em Porto Rico.

Por outro lado, os prêmios da MAPFRE GLOBAL RISKS aumentaram 41,6%, para 349 milhões de euros, e seu resultado negativo de 8 milhões corresponde praticamente ao terremoto de Porto Rico.

Por último, os prêmios da unidade de Assistência caíram 5,6%, para 220 milhões de euros, devido ao impacto da paralisação do turismo mundial, e seu resultado (-12 milhões) foi especialmente afetado pela cobertura do seguro de viagem, devido também ao COVID-19.

4.- Dividendo

O Conselho de Administração entrou em acordo para realizar o pagamento do dividendo complementar do exercício 2019, aprovado na Assembleia Geral de Acionistas do último dia 13 de março, e equivalente a 8,5 centavos de euros por ação em 25 de junho do presente ano. A respeito do dividendo a receber correspondente a 2020, que geralmente é pago em dezembro, e seguindo as recomendações do Supervisor, o Conselho decidiu adiar sua decisão a respeito até a segunda parte do exercício, quando estejam disponíveis informações mais precisas sobre o impacto econômico para a MAPFRE da COVID-19.