O relatório América Latina, uma agenda de recuperação, elaborado pela Fundación Euroamérica e pela Fundación Iberoamericana Empresarial, com o apoio do Banco de Desenvolvimento da América Latina (CAF), apresenta uma lista de propostas para promover uma estratégia de recuperação econômica da região após a crise provocada pela COVID-19. Para acessar o relatório completo, clique aqui.

 

Manuel Aguilera

A pandemia de COVID-19 teve consequências inesperadas no mundo, e a América Latina é a região mais afetada pela crise e suas previsões de recuperação são lentas e frágeis. O Diretor Geral da MAPFRE Economics, Manuel Aguilera, participou ativamente da elaboração do relatório América Latina, uma agenda de recuperação.

 

Para Manuel Aguilera, o estudo “oferece uma lista de propostas para enfrentar, a curto prazo, a complexa situação econômica que a pandemia de COVID-19 tem produzido na região latino-americana, com a virtude de articular essas propostas com as amplas e necessárias reformas estruturais que a região deve empreender para sustentar seu desenvolvimento a médio e longo prazo”.

 

Ao seu lado, algumas personalidades contribuíram para o grupo de reflexão, como José Manuel González-Páramo, Conselheiro Executivo do BBVA, ex-membro do comitê executivo do BCE e ex-membro de seu conselho de governança; José Juan Ruiz, economista; Manuel Balmaseda, economista-chefe da CEMEX; Pablo Sanguinetti, vice-presidente de conhecimento do Banco de Desenvolvimento da América Latina (CAF); entre outros. Miguel Marín, consultor estratégico e CEO da Análisis Económico Integral, coordenou o documento, que foi inteiramente dirigido por Román Escolano, técnico comercial e economista do Estado.


Recuperar a confiança e a aliança estratégica

Na apresentação on-line do relatório América Latina, uma agenda de recuperação à Delegação na Assembleia Parlamentar Euro-Latino-Americana (DLAT), Ramón Jáuregui, presidente da Fundación Euroamérica e ex-presidente da referida delegação, relembrou a situação “muito grave” que vive a região, que corre o risco de perder uma década em termos de avanços macroeconômicos e em de níveis de bem-estar e pobreza. Nesse sentido, a situação implica que a Europa se faça presente na América Latina.

 

Jáuregui resumiu as quatro principais urgências: vacinas, com atrasos preocupantes na entrega e “risco de um fracasso moral europeu”; financiamento internacional e o papel das organizações internacionais, como o FMI; incorporação da região à dupla transição ecológica e digital que a União Europeia (UE) promove, comprometendo o Banco Europeu de Investimento e aproveitando as vantagens oferecidas pela sociedade e riqueza de recursos da região; e a necessidade de estabelecer uma parceria estratégica entre a Europa e a América Latina. A comunidade política da América Latina está perdendo confiança na Europa, admitiu, e os investimentos empresariais estão sendo retirados. No radar geopolítico mundial, não há aliado mais natural e fiel, com valores mais comuns, para a Europa, afirmou, por isso a aliança e a solidariedade devem ser reforçadas. O espaço ibero-americano é um território de consenso multilateral fundamental e o relatório propõe medidas para que a América Latina não fique para trás nesse contexto.

 

Por sua vez, Josep Piqué, presidente da Fundación Iberoamericana Empresarial e ex-ministro das Relações Exteriores da Espanha, considerou que o documento está sendo bem recebido, porque “se baseia na solidariedade, no multilateralismo e na cooperação”, sem substituir os deveres de competitividade, reformas estruturais e de governança que a própria região latino-americana deve realizar como esforço interno. Para ele, o relatório serviu para lançar um diálogo euro-latino-americano, com a presença de especialistas de alto nível, sobre a necessidade de a UE acompanhar a região nos fóruns globais e alinhar as prioridades com as estabelecidas pela Presidência portuguesa da UE, com foco na tramitação do acordo entre a União Europeia e o Mercosul.

O documento analisa questões fundamentais, como a integração regional dos mercados latino-americanos, o financiamento de futuros investimentos em espaços fiscais reduzidos ou digitalização, a fim de romper a relação entre a informalidade e a rigidez dos mercados de trabalho. Inclui igualmente a necessidade de um quadro jurídico adequado, a promoção de um maior investimento privado ou o desenvolvimento de ecossistemas, políticas públicas e objetivos jurídicos que facilitem o investimento social.

Na apresentação on-line do estudo realizado no último mês de outubro pela Secretaria Geral Ibero-Americana (SEGIB), Escolano expressou a importância de a América Latina enfrentar “o curto prazo com determinação e o longo prazo com visão ampla” e lembrou que o relatório recomenda reformas para a competitividade, resiliência e sustentabilidade econômica.

 

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