O presidente da MAPFRE participou do ciclo O futuro do capitalismo, organizado pelo Conselho Social da UNIR (Universidade Internacional de La Rioja).

Antonio Huertas, presidente da MAPFRE, fez uma profunda reflexão sobre o tsunami global que a pandemia causou, o papel do seguro e o equilíbrio para a sustentabilidade durante uma intervenção na UNIR (Universidade Internacional de La Rioja), no contexto atual da crise triplicada: saúde, econômica e social.
“O processo de vacinação contra uma pandemia global também deve ser global”, frisou. Ele apelou a todas as organizações, públicas e privadas, para ajudarem os países que exigem proteção e acesso às vacinas.

Ele encorajou que a crise não impede o andamento dos compromissos com a sustentabilidade assumidos em relação aos ODS (Objetivos de Desenvolvimento Sustentável) das Nações Unidas da Agenda 2030, mas para acelerar “tudo o que pode ser feito nesta década de ação”.

“Com a COVID-19, parece que paramos e deixamos o que é importante para atender ao urgente. Compromissos e ODS devem ser assumidos. Mas não temos apenas um problema climático, a sustentabilidade também é social. Precisamos sobre igualdade e inclusão”, enfatizou. Para isso, o investimento socialmente responsável é um aliado, “porque demonstrou que não é apenas rentável, mas também um facilitador de benefícios sociais.

Do conjunto de ODS, o presidente da MAPFRE priorizou um, por sua “importância fundamental”: a educação de qualidade. “Grande parte do mundo perdeu sua educação e estamos aumentando esse risco. A comunidade internacional deve oferecer suporte para que ninguém, nenhuma criança ou jovem, fique para trás”, destacou, com foco naturalmente na educação digital.

Para um seguro com um papel mais ativo

Sobre o papel do setor segurador, o presidente da MAPFRE lembrou que “o seguro foi muito mais longe nesta crise: não se ateve aos contratos apenas, mas buscou também a aliança com os poderes públicos. O seguro funcionou. Podemos desempenhar um papel mais ativo no futuro”, afirmou.
É um setor especialmente preparado para desenvolver os benefícios sociais de produtos ASG (ambiental, social e de governança), pois atua como amortecedor de crises, é supervisionado e possui um modelo de gestão de equilíbrio que proporciona estabilidade anticíclica aos o sistema como um todo.

Por fim, em relação à recuperação econômica, Antonio Huertas destacou o papel comprometido das empresas durante a pandemia. No caso da MAPFRE, a empresa mobilizou mais de 200 milhões para ajudar os profissionais autônomos e as PMEs. As doações diretas de sua fundação a instituições públicas e privadas, em “um programa sem precedentes”, somaram 45 milhões de euros para atender emergências e ajuda humanitária em quase 30 países.

O seguro também faz parte da solução no processo de transformação econômica e social que está sendo implementado. “Os países que melhor administraram essa crise e os que melhor estão emergindo são aqueles que desenvolveram uma estratégia de colaboração e compartilhamento de esforços entre os setores público e privado”, apontou como o caminho mais eficaz.

“Não há capacidade de assumirmos um risco sistêmico como essa pandemia sozinhos. Dos 4,5 trilhões de perdas europeias, apenas 1% estava segurado e a sociedade precisa ser protegida. Precisamos de mecanismos de colaboração público-privada”, enfatizou.

Ele ainda citou três alavancas para a recuperação: educação digital, apoio às PMEs e fortalecimento das capacidades de pesquisa e desenvolvimento.

A intervenção de Antonio Huertas ocorreu, em conjunto com Teresa Rasero, presidente da Air Liquide Espanha, e Emma Navarro, conselheira independente e da Iberdrola Espanha, na terceira sessão do ciclo de conferências, apresentada por Jordi Sevilla, ex-Ministro das Administrações Territoriais e atualmente presidente do Conselho Social da UNIR, e dirigido por Rafael Pampillón, professor de economia na referida universidade e professor da IE Business School.