MAPFRE Investimentos: expectativa de aumento da inflação está no centro das atenções do mercado na semana
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O anúncio do IPCA (Índice de Preço ao Consumidor Ampliado) nesta semana será decisivo para a definição das expectativas de aumento da inflação

Na próxima sexta-feira, 9 de junho, será anunciado o IPCA (Índice de Preço ao Consumidor Ampliado) de maio. A expectativa é de que, ao contrário da medição anterior, a inflação aumente ante o mês passado. A MAPFRE Investimentos espera alta de 0,48%, ante 0,14% abril. Esse aumento decorre principalmente da pressão dos preços administrados. Entre estes, estão as tarifas de energia elétrica.

A pressão das tarifas de energia elétrica, que em abril foram descontadas, faz com que a inflação de maio seja superior à observada na última divulgação do índice. Diga-se de passagem, apesar de a ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica) ter anunciado mudança na bandeira tarifária de vermelha para verde em maio, o efeito desse desconto nas tarifas só será verificado na inflação de junho.

Além das tarifas de energia elétrica, preços de medicamentos pressionaram o IPCA de maio, que são reajustados anualmente em abril por conta regra definida pela ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar). Ocorre que as farmácias não reajustam seus preços na mesma data do anúncio da agência reguladora. Assim, é possível observar a continuidade de aumento de preços dos medicamentos também em maio, ainda que em menor intensidade que no mês anterior.

Os preços de alimentos, por sua vez, devem apresentar menor crescimento no IPCA de maio do que o observado em abril. Entre outros fatores, vale mencionar a evolução favorável da safra agrícola deste ano, muito superior à observada no ano passado. As condições climáticas favoráveis, o aumento da produtividade da produção agrícola, bem como da área plantada favorecem a expansão da oferta. Diante disso, a expectativa para os preços de alimentos é de continuidade de queda nos próximos meses.

O núcleo por exclusão do IPCA deve apresentar crescimento discreto. A resistência à queda dos preços de serviços deve contribuir para a manutenção do núcleo de inflação. Isso implica que, mesmo com a perspectiva de queda na inflação acumulada nos próximos meses, o núcleo de inflação, composto basicamente por serviços e produtos industrializados (excluindo preços administrados e alimentos), permaneça em patamar constante quando comparado com os núcleos da inflação de meses anteriores. Em resumo, a expectativa é que a inflação de maio seja maior principalmente por conta de itens mais voláteis, sobretudo de energia elétrica.

GESTÃO
A semana passada foi de cautela no mercado local, com os investidores avaliando o cenário político e seus possíveis desdobramentos, que exercerão influência nas reformas que tramitam no congresso. Nem mesmo o novo corte da taxa básica de juros feito pelo Banco Central foi capaz de trazer alívio aos mercados. Somente o Dólar apresentou um comportamento mais otimista e encerrou a semana com desvalorização frente ao Real de 0,65%, cotado a R$ 3,2464.

Devido à incerteza que paira no horizonte, o Ibovespa encerrou a semana com queda de 2,46%, aos 62.510 pontos. O destaque positivo ficou por conta das ações da Fibria, refletindo o aumento do preço da celulose no mercado internacional. Já na ponta negativa, as ações da BR Foods registraram movimento de realização de lucros, após forte alta das semanas anteriores.

No mercado de renda fixa, a curva de juros passou por um movimento de correção de prêmios após a decisão do COPOM. Os investidores reagiram ao comunicado divulgado pelo BC ressaltando as incertezas do cenário político e das aprovações das reformas, deixando claro que o ritmo de cortes da taxa SELIC será reduzido na próxima reunião. Com isso, os vencimentos mais curtos apresentaram alta mais acentuada e a ponta mais longa da curva variação moderada. Os destaques da semana foram: Jan18 alta de 6,5 pontos; Jan19 de 19 pontos; Jan21 de 7 pontos; Jan23 de 3 pontos. Já o vencimento para Jan25 apresentou estabilidade.