MAPFRE Investimentos: indicadores devem impactar euro
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Eurostat apresenta nesta semana PIB e índice de preços na União Europeia

São Paulo, 15 de agosto de 2017 – Nesta semana serão divulgados dados e informações com potencial de impacto na paridade do euro frente a outras moedas. Na quarta-feira (16), será apresentado o PIB da União Europeia do segundo trimestre do ano pela Eurostat. Já na quinta-feira (17), a entidade divulgará o índice de preços ao consumidor do bloco do mês de julho; e o Banco Central Europeu (BCE), a ata do Comitê de Política Monetária de 20 de julho. Sem dúvida estes eventos influenciarão as próximas ações do BCE. Por conseguinte, impactarão também a paridade do euro perante outras moedas.

Fundamentos econômicos fortalecem a perspectiva de aperto da política monetária do BCE. A inflação no bloco europeu vem dando sinais de aceleração, em especial o seu núcleo. Se essa aceleração tiver continuidade, o núcleo de inflação poderá atingir a meta perseguida pelo Banco Central Europeu ainda neste ano. Ao mesmo tempo, a atividade econômica na região europeia segue surpreendendo positivamente, em especial o comércio varejista. A recuperação do mercado de trabalho, ainda que desigual entre os membros do bloco, aliada à melhora da confiança do consumidor, dá sustentação ao consumo das famílias. Essa combinação de inflação e atividade econômica em alta deverá condicionar as próximas decisões do BCE.

Além dessa perspectiva de aperto monetário, o fundamento externo também indica fortaleza da moeda europeia. É verdade que o fluxo de Investimentos Diretos Estrangeiros (IDE) da região segue liquidamente negativo. Isso porque as economias da região realizam mais investimentos diretos no exterior do que recebem de economias de fora do bloco. Por outro lado, o crescente superávit em conta corrente do bloco, de mais de 3% do PIB regional, mais do que compensa esse fluxo negativo de IDE. Como resultado, as reservas estrangeiras acumuladas pelas economias do bloco europeia seguem em elevação.

Mas mais do que fundamentos econômicos, pode-se dizer que o principal vetor de fortaleza da moeda europeia no curto prazo é político. As eleições para primeiro-ministro na Alemanha ocorrem em 24 de setembro. As pesquisas de intenção de voto colocam Angela Merkel, atual chanceler em seu terceiro mandato, como favorita. Mesmo se Merkel não for reeleita, seu principal concorrente, Martin Schultz, deputado do Parlamento Europeu desde 1994, é forte defensor da integração europeia. Ou seja, assim como os fundamentos econômicos, as condições políticas tampouco representam ameaça à fortaleza da moeda europeia no curto prazo. Seguimos atentos aos riscos e oportunidades deste cenário.

Gestão
A semana foi de apreensão nos mercados por conta da tensão geopolítica envolvendo a Coreia do Norte. Os mercados internacionais reagiram de forma negativa, e o dólar se desvalorizou frente às principais moedas mundiais. Excluindo o noticiário geopolítico, os indicadores de inflação nos Estados Unidos reforçaram as expectativas do mercado de não aumento de juros no curto prazo. Para o mercado local, começa a ficar desconfortável o aumento da meta fiscal para o ano de 2017 e 2018. Com isso, o real voltou a se desvalorizar frente ao dólar, 2,63% cotado a R$ 3,1937.
No mercado de ações, o destaque positivo da semana foi para a Randon que avançou 10,22% após divulgação de resultados acima do esperado pelo mercado. Outro destaque positivo ficou com as ações da Kroton, que avançaram 8,62% também em virtude de resultados e indicadores operacionais melhores do que o esperado. Já pelo lado negativo, as ações da Cemig e Light que caíram 8,14% e 7,74% respectivamente após a divulgação dos seus números trimestrais.
Já no mercado de renda fixa, o mercado seguiu a mesma cautela dos mercados internacionais. Além da tensão externa, os investidores começam a ficar cautelosos por conta da revisão da meta fiscal. Os dados de inflação também demonstraram que possivelmente o IPCA atingiu seu menor nível. Com isso, os vencimentos mais longos demonstraram maior sensibilidade ao cenário adverso, registrando as maiores altas de taxas. Os destaques da semana foram: Jan18 queda de 2,5 pontos; Jan19 alta de 7 pontos; Jan21 alta de 23 pontos; Jan23 alta de 26 pontos; Jan25 alta de 18 pontos.