• Levantamento da MAPFRE Economics mostra ainda que país tem taxa de penetração de 2,1%, indicando grande potencial para crescimento da modalidade.

Um estudo inédito, desenvolvido pela MAFRE Economics – centro de estudos e análises econômicas e financeiras da companhia e editado pela Fundación MAPFRE, revela que o Brasil tem grande potencial a ser explorado no segmento de seguro de vida. O levantamento traz dados da evolução do mercado em 10 anos (de 2008 a 2018), com informações de 43 países, e aponta que o Brasil está em trajetória de crescimento.

Em 2018, o Brasil era o maior mercado segurador de Vida em volume de prêmios da região da América Latina e Caribe, movimentando R$ 130 bilhões de reais. A produção garantia ao país a 14ª posição entre as nações com maior montante de prêmios relacionados a seguro de vida, ficando à frente da Espanha, Suíça e Austrália.

Dados provisórios da SUSEP, do final de 2019, comprovam essa trajetória de crescimento, uma vez que os prêmios de seguros de Vida avançaram 12,7% em relação a 2018. “A redução contínua das taxas de juros, juntamente com as expectativas de novas quedas, aliado ao crescente interesse das famílias nos produtos de proteção pessoal e renda de aposentadoria, pode ter influenciado esta recuperação, explica André Serebrinic, diretor de Vida, Previdência, Capitalização e Odonto da MAPFRE.

Em relação ao índice de penetração desse tipo de produto – indicador baseado nos valores dos prêmios do seguro em relação ao PIB – o Brasil ocupava, em 2018, a 27ª posição, com taxa de 2,1%.

Os números indicam que há grandes oportunidades para o segmento, uma vez que em outras regiões, como a Europa Ocidental, o nível de penetração desse tipo de seguro chegava 4,5% em 2018. Em alguns países da região o índice é ainda maior, como no Reino Unido (8,3%), Itália (6,2%) e França (5,8%).

O levantamento ainda mostra que no mercado brasileiro de seguros de vida, os produtos mais importantes, tanto em termos de prêmios como em relação ao volume de poupança administrada, são as anuidades variáveis e, dentro delas, o Vida Gerador de Benefício Livre (VGBL), produto que tem como objetivo complementar a aposentadoria, com uma tributação favorável.

A importância da regulamentação

As políticas públicas constituem um elemento essencial para o desenvolvimento dos produtos de Vida e podem ser estruturadas em três grupos: aspectos regulatórios (que envolvem acesso ao mercado, estabilidade regulatória para negócios de longo prazo, incentivos à inovação e elementos de conduta no mercado); sistema de pensão (incluindo sistemas de pensão de afiliação obrigatórios do sistema de emprego e planos de pensão voluntária); e incentivos fiscais (para produtos de poupança e investimento, de seguro Vida risco e para evitar desincentivos relacionados à aplicação de impostos indiretos).

“A dimensão do mercado segurador de Vida em cada país é diferente e os motivos que influenciaram seu maior ou menor desenvolvimento variam em função de fatores regulatórios, demográficos, econômicos e sociais. Nos países desenvolvidos, a cobertura desse seguro é mais difundida entre a sociedade do que nos países emergentes, em que apenas uma parte da população é protegida por um seguro de vida”, afirma Manuel Aguilera Verduzco, diretor-geral da MAPFRE Economics.

“O desenvolvimento do segmento do seguro de vida pode ser um elemento-chave no desenho e na implementação de políticas públicas que visem aumentar a taxa de poupança e o investimento em uma economia com os efeitos positivos que esses fenômenos trazem consigo em termos do crescimento da riqueza material e dos níveis de bem-estar da sociedade”, conclui.