“A América Latina é a região mais atingida pela crise econômica, que está gerando um aumento nas desigualdades e nos conflitos sociais. Nesse contexto, as empresas podem fazer sua parte e fortalecer seu investimento estrutural na região. Além disso, para as empresas europeias, investir na América Latina neste momento é uma oportunidade e, no campo dos seguros, podemos contribuir para aumentar a sua penetração na economia, algo absolutamente necessário para o desenvolvimento da região.”

A afirmação foi expressa por Jesús Martínez Castellanos, O CEO AMÉRICA LATINA em mesa redonda sobre as relações entre a União Europeia e a América Latina, organizada pela Madrid Platform, com José Ignacio Salafranca, conselheiro do Comitê Econômico e Social da União Europeia, assessor internacional da presidência da CEOE e vice-presidente da Fundación Euroamérica; Maryleana Méndez, secretária geral da ASIET. Telecomunicaciones de América Latina; Ingo Ploger, presidente da IP Desenvolvimento Empresarial e Institucional do Brasil, e Clara Arpa, CEO do Grupo Arpa e presidente do Pacto Global na Espanha.

Temas como a mobilização da vontade política nas atuais circunstâncias, que limitam fortemente os “tempos impossíveis” e caracterizados pela atual crise política, sanitária, econômica e social, sem precedentes desde a Segunda Guerra Mundial, abriram um colóquio em que foram abordadas questões como a importância transcendental de tratados como UE-Mercosul, a oportunidade de um espaço comum de investimento responsável e sustentável, a inovação, enquanto vetor de maior colaboração transoceânica, e a conectividade, como um dos principais elementos no comércio regional.
Durante essa reunião, moderada por Celina Pérez Casado, secretária de organização do CEAJE, Martínez Castellanos referiu-se à incerteza que pesa sobre a região da América Latina e do Caribe, economicamente a mais afetada, com uma queda do PIB em 2020 de 7,4%, mais de 2 milhões de PME encerradas e mais de 30 milhões de pessoas que perderam os seus empregos.

A recuperação será assimétrica entre os diferentes países, segundo as projeções da MAPFRE Economics. A situação pré-COVID será atingida, em média na região, entre 2022 e 2023. Nesse contexto, Martínez Castellanos concordou em destacar que a América Latina e o Caribe precisam aumentar o investimento privado e sublinhou que este seja estrutural e de longo prazo, não especulativo; responsável e inclusivo; gerando valor para todas as partes interessadas e sustentável com o meio ambiente. Esse investimento privado, por sua vez, exige regras claras do jogo, reformas estruturais e investimentos em infraestrutura e logística para crescer na região, alertou.

Durante o seu discurso, insistiu que, para a União Europeia, o investimento da América Latina é uma oportunidade: é o quarto investidor na Espanha e, embora seja altamente dependente dos EUA, a grande ameaça à UE é a China, que já se tornou o segundo parceiro comercial da região. Por isso, lembrou que é “necessário modernizar os acordos com os países da LATAM e as alianças comerciais como o Mercosul ou o do Pacífico”.

Diante de todos os presentes, convidados e participantes conectados à plataforma por videoconferência, destacou a importância da LATAM para a MAPFRE, onde a empresa está presente em 17 países, é a seguradora líder Não Vida e a primeira seguradora multinacional na região e onde obtém 30% da receita total, mais de 40% do lucro atribuível e 37% dos funcionários residem.

A MAPFRE, destacou, é um investidor de longo prazo que acredita e aposta firmemente nessa região. “Isso nos ajudou em outras crises, como a crise financeira de 2008-2011.” Entre as previsões positivas, ele anunciou que o compromisso com a sustentabilidade na UE será “um elemento muito positivo para a LATAM” e lembrou que, com 85% das reservas mundiais de lítio, pode ter um papel de destaque na expansão dos veículos elétricos e um aumento da demanda por ferro, aço e platina.